Histórias que ninguém acredita


Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - o amor familiar é lindo...

Uma fazenda na beira da Lagoa de Itapeva, balneário de Rondinha. São quatro Dulls e um miserável que está querendo apenas silêncio. Sábado, horário incerto, anoitecendo. Tio W. e J. estão na beira da fogueira.

W: Não faz essa cara, que eu não vou te comer.

J: Se tu não vai me comer, vou fazer a cara que eu quiser.



Escrito por Ulisses Costa às 13h45
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Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - sobre inseticidas naturais

Uma fazenda na beira da Lagoa de Itapeva, balneário de Rondinha. São quatro Dulls e um miserável que está perdendo a paciência. Sábado, horário incerto, meio da tarde. O tio A. tenta colocar uma árvore verde na fogueira.

A: É pra espantá os mosquito.

U: Coloca merda de vaca que também funciona.

Tio A. faz menção de tirar a bermuda e cagar dentro da fogueira.

U: Eu disse de vaca, não de burro.



Escrito por Ulisses Costa às 13h42
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Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - tentando manter o respeito

Uma fazenda na beira da Lagoa de Itapeva, balneário de Rondinha. São quatro Dulls e um miserável que não conseguiu cochilar direito durante a sesta devido ao incansável falatório do tio A. - que, para deixar claro, não é seu tio. Sábado, horário incerto, meio da tarde.

U (para o tio A.): Antes do fim da pescaria, eu vou enfiar aquela machadinha no meio da tua testa.

Silêncio.

U: Será, J., que a ONU me daria um prêmio por serviços pretados à humanidade por isso?

J: Com certeza.



Escrito por Ulisses Costa às 13h39
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Série diálogos da pescaria com a família Dull" - sobre os dons da família

Uma fazenda na beira da Lagoa de Itapeva, balneário de Rondinha. São quatro Dulls e um miserável cujo único alento é a esperança de pegar mais peixes que da outra vez. Sábado, horário incerto, início da tarde.

J: Tio, junto com os Rolling Stones e o Aerosmith, tu é a prova de que as drogas não fazem mal.

A (muito sério): É, eu sou um exemplo.



Escrito por Ulisses Costa às 13h34
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Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - ainda espantando as visitas

Uma fazenda na beira da Lagoa de Itapeva, balneário de Rondinha. São quatro Dulls e um miserável já se arrependendo de estar ali com o acampamento montado. Sábado, horário incerto, por volta do meio-dia. O dono da propriedade e um amigo, que veio de moto, estão dando um alô para o pessoal. O dono fala que tiveram de sacrificar uma vaca doente na véspera e o tio A. (para variar...) tenta convecê-lo a desenterrar o bicho e fazer uma churrascada.

Dono da fazenda (rindo): Esse gringo é louco...



Escrito por Ulisses Costa às 13h31
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Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - como espantar as visitas

Uma fazenda na beira da Lagoa de Itapeva, balneário de Rondinha. São quatro Dulls e um miserável já se arrependendo de estar ali com o acampamento montado. Sábado, horário incerto, por volta do meio-dia. O dono da propriedade e um amigo, que veio de moto, estão dando um alô para o pessoal. O rapaz que veio de moto vai dar uma circulada na propriedade e, quando volta, é inquirido pelo tio A.  

A: Escuta, o que tem com a tua moto?

Cara da Moto: Por quê?

A: Porque eu botei 110 ali na subida da duna...



Escrito por Ulisses Costa às 13h30
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Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - momento lacônico

Uma fazenda na beira da Lagoa de Itapeva, balneário de Rondinha. São quatro Dulls e um miserável já se arrependendo de estar ali montando o acampamento. Sábado, horário incerto, ainda pela manhã. Nosso herói J. tenta acender o fogo para o providencial almoço.

A: Vai gastar todos os fósforo nessa merda?

J: Vou.



Escrito por Ulisses Costa às 13h26
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Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - trecho agressivo

Uma fazenda na beira da Lagoa de Itapeva, balneário de Rondinha. São quatro Dulls e um miserável já se arrependendo de estar ali montando o acampamento. Sábado, horário incerto, ainda pela manhã. O tio A. (ele, de novo) revela que trouxe uma gaitinha de boca e fica atazanando a todos com aquele som irritante.

U: Isso vai estar no fundo da lagoa até as 4 horas da tarde.

J: O quê? A gaita ou o tio?

U: Putz, agora tu me deixou em dúvida...



Escrito por Ulisses Costa às 13h23
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Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - monólogos I

Arroio do Sal. São quatro Dulls e um miserável sem-noção numa caminhonete Hilux. Sábado, 8:51, horário de Brasília. O tio A. está com uma funda (o tradicional bodoque) jogando pedras nos cachorros na rua, de dentro do veículo em movimento.

A: Tô que é um guri!



Escrito por Ulisses Costa às 13h17
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Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - mais um trecho

Free way, indo em direção a Osório. São quatro Dulls e um miserável sem-noção numa caminhonete Hilux. Sábado, 7:29, horário de Brasília.

A: Se me chamar de senhor de novo, desce.

U: Senhor.

Silêncio

U: Tá, desculpe, A.

A: Que A. o quê!

U: Vô te chamá então de quê, porra?

A (estendendo a mão): Ah, agora sim a gente tá se entendendo!



Escrito por Ulisses Costa às 11h52
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Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - outro trecho

Free way, indo em direção a Osório. São quatro Dulls e um miserável sem-noção numa caminhonete Hilux. Sábado, 7:45, horário de Brasília.

A: Olha o Ford Corcel rebaixado!

W (para mim): Rebaixado de categoria...



Escrito por Ulisses Costa às 11h49
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Série Série "diálogos da pescaria com a família Dull" - um trecho

BR-116, indo em direção à Free Way. São quatro Dulls e um miserável sem-noção numa caminhonete Hilux. Sábado, 6:50, horário de Brasília.

J: Põe uma coisa na cabeça, tio: lei é pra pobre.

W: Então não é pra mim.



Escrito por Ulisses Costa às 11h45
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O Segundo Trabalho - Dr. Sin

Em 2004, eu e o Jackson decidimos fazer um festival de bandas de Heavy Metal em Porto Alegre, para divulga um certo site que não existe mais. Para fechar o evento, resolvemos contratar a banda paulista Dr. Sin - que já teve seus momentos de maior sucesso anos atrás, mas que anda meio mal das pernas em termos de divulgação. O show, porém, era ótimo e pelo menos uma música do repertório dos sujeitos é clássica: Futebol, Mulher e Rock and Roll.

Pois bem: data marcada no Opinão Bar, outras bandas acertadas, passagens, hospedagem, equipamento de palco... Tudo nos conformes da produção musical – fora, claro, a maldita divulgação do show, que acabou sendo falha por culpa, vejam vocês, exatamente do nosso herói. No mesmo mês em que realizávamos o evento, Jackson conseguiu passar no concurso para a CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica). Claro que vem a pergunta: teria a estatal notado (e reconhecido) os fabulosos conhecimentos de engenharia do nosso ídolo? Ou que sabe os seus dotes administrativos para um alto cargo executivo? Que nada: ele iria trabalhar no call center da empresa (o famigerado zero-oitocentos), atendendo os zé-povos da vida reclamado dos cortes de luz nos seus gatos.

Eu, seu arauto, passei então organizando a divulgação da melhor forma possível – que se provou ser a pior forma possível, no fim das contas – até chegar a data tão esperada. Fora a pouca venda de ingressos, que resultaria num público pra lá de fraco, tudo ia perfeitamente bem: horários cumpridos, passagem de som tranqüila e bandas animadas com as apresentações. Os caras do Dr. Sin eram fenomenalmente divertidos e simpáticos. Tudo perfeito para um bom show.

Ou seja: era bom demais pra ser verdade.

Pois eis que, após os roadies da banda paulista terem montado e testados os amplificadores e a bateria (todos alugados), a banda em si foi se aquecer. O baterista Ivan Busic, sempre brincalhão, veio ter com o nosso herói e falou muito seriamente:

- Não dá pra tocar na bateria. A pele do bumbo está rasgada e pode arrebentar.

Vale dizer que, horas antes, quando a banda chegou no Opinião, Jackson – que até então não tinha dado suas caras e que era conhecido pelos músicos apenas pela fama que espalhei – estava mui guapo, de bombacha preta e chimarrão na mão. E se tem um troço que infunde respeito é um sujeito guasca num festival de Heavy Metal ostentando uma bombacha com todo o orgulho pátrio do mundo. Portanto, Ivan Busic falou do problema no instrumento com todo o respeito devido.

- Mas teu roadie não viu isso? Pois não tinha visto. Claro que o baterista tinha razão, isso poderia comprometer a apresentação de todas as bandas. Precisávamos urgentemente de uma nova pele – o que não impediu nosso herói de perder dois minutos do seu tempo para delicadamente passar o braço pelo ombro o roadie de bateria – um gordinho insípido – e dizer no ouvido do rapaz com tranqüilidade maquiavélica:

- Eu vou te capar.

O gordinho não disse nada.

- Como que tu não viu a pele do bumbo rasgada?

E o gordinho nem água. Vendo que dali não ia sair resposta, Jackson se virou firme para Ivan Busic e decretou:

- Demite ele.

E se pôs junto comigo a resolver o problema – o que não demorou uma hora, no final das contas. Claro que não tivemos mais problemas nem reclamações. Mesmo que houvesse motivos para tanto, ninguém mais abriu o bico. E os shows foram uma maravilha.

Claro que, desde então, o Dr. Sin não tocou mais em terras gaúchas. Mas isso não é culpa nossa.



Escrito por Ulisses Costa às 10h38
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