Histórias que ninguém acredita


O Primeiro Trabalho - Paixão Cortes

O meu amigo Fabiano Schüler, certa feita, já escreveu sobre o caso no seu blog, com seu característico estilo floreado - mais preocupado com os efeitos literários do que com as verdades históricas (ele vai perdoar este meu aparte, espero). É um belo relato e reforça o aspecto dramático e épico da situação pela qual passou nosso herói-mor. Para não ser motivo de comparação, vou fazer um descrito apenas com diálogos.

Antes, claro, cabe uma explicação rápida. Paixão Cortes é o mais importante nome do tradicionalismo gaúcho e, entre outros feitos, serviu de modelo para o monumento do Laçador, o mais importante símbolo de Porto Alegre. É, portanto, figura seminal da cultura do Rio Grande do Sul, seguido e incensado por uma legião de tradicionalistas.

E eis que que seu Jackson Ritter atravessa o caminho deste bagual sem tamanho. Anos atrás, ia ocorrer um fandango no Galpão Crioulo de Portão, cidade do nosso herói. E ele, um pé-de-valsa de marca maior, resolveu estrear o mais novo paramento de sua pilcha: botas brancas. Na noite da bailanta em questão, ele entra no recinto empertigado, cheio de pompa e circunstância. E, sem menos, ouve uma voz trovejar, cheia de impáfia e desprezo:

- Ô, guri!

Chamar um gaúcho pilchado de guri é coisa séria. Inúmeras mortes ocorrem por isso em toda a Fronteira. Foi pela afronta que então Jackson resolveu se virar despido das boas-educações (das quais, aliás, nunca foi muito afeito):

- O quê?

- Isso não pode.

- Não pode o quê?

- Essas bota branca. Não pode.

- As bota são minha e eu uso a merda que eu quiser.

- Escuta aqui, guri! Tu sabe com quem tu tá falando?

- Não, não sei!

- Tu tá falando com o Paixão Cortes!

- E tu tá falando com o Jackson Ritter! Velho abusado...

E deu as costas para o patrimônio cultural do regionalismo, dando o assunto por encerrado. Havia vencido, com facilidade, o primeiro trabalho.



Escrito por Ulisses Costa às 10h39
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Os Doze Trabalhos de Jackson

Quem leu Monteiro Lobato sabe de cor os famosos Doze Trabalhos de Hércules. É o tipo de cultura tão útil quanto saber a distância da Terra ao Sol, com quantos espanhóis Cortez desembarcou no México ou a altura exata do Monte Everest.

Resolvemos bolar então a lista de Doze Trabalhos de Jackson Ritter, nosso herói-mor. Ele já fez um sem-número de proezas mecânicas, elétricas, eletrônicas, químicas, físicas e hidráulicas; seu dístico é incomparável em todos esses anos. Isso quer dizer que qualquer lista deste tipo de façanhas seria fácil. Resolvemos então bolar uma que ele certamente vai demorar mais para concluir: a de situações de Jackson junto com pessoas famosas ou autoridades de qualquer tipo. A contagem começou há pouco - e já foram listados quatro trabalhos. Faltam mais oito. Vamos aos já realizados:

1 - Xingou o folclorista Paixão Cortes,

2 - Mandou o baterista do Dr. Sin demitir seu roadie,

3 - Foi reverenciado pelo ator Werner Schünemann,

4 - Bateu boca com o prefeito de Carlos Barbosa.

Cada uma delas é uma pérola única, rara e perfeita. Vou contar todas.

E, antes que eu me esqueça, os de Hércules foram: o Leão da Neméia, a Hidra de Lerna, a Corça de Pés de Bronze, o Javali do Erimanto, as Cavalariças de Augias, as Aves de Estinfale, o Touro de Creta, os Cavalos de Diomedes, o Cinto de Hipólita, os Bois de Gerião, o Pomo das Espérides e Cérbero.



Escrito por Ulisses Costa às 16h59
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Resolvi voltar

Escrever é uma coisa difícil. Nunca o texto fica do jeito que se queria e a impressão de que sempre tem alguém que escreve melhor é recorrente.

Mas inegavelmente é um bom exercício.

Então, voltei para exercitar o meu cerébro. Não que as histórias tenham ficado mais inteligentes. Elas, a bem da verdade, continuam tão esdrúxulas quanto antes.

Quanto às constantes reclamações de que elas são muito longas... Vão pro inferno! Não leiam. Como diria o Jackson, quem escreve aqui sou eu e eu boto a merda que eu quiser.

Por sinal, os Doze Trabalhos de Jackson é um bom ponto de partida para esta nova leva, antes de continuar a saga das gravações de O Gritador...



Escrito por Ulisses Costa às 16h48
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