Histórias que ninguém acredita


Top Ten Indiadas do Ulisses - agora refeito

O Top Ten de Indiadas das quais participei foi extendido esse ano em nada menos que duas indiadas a mais! A lista teve que ser obrigatoriamente refeita:

1 - Ida a Barros Cassal - carnaval de 1997 (ainda na ponta e com folga)

2 - Viagem ao Peru - fevereiro de 1994

3 - Festa da Uva - verão de 1994 (putz, duas indiadas terríveis num espaço de dois meses! Eu tenho talento pro negócio...)

4 - Gravações em São José dos Ausentes - novembro de 2005

5 - Ida a pé de Torres a Laguna - janeiro de 2002

6 - Busca de locações em São José dos Ausentes - julho de 2005

7 - Acampamento no cânion Malacara - verão de 1998

8 - Festa punk no Mastur Bar, em Portão - meados de 1997

9 - Fim de semana em Camboriú com a família - verão de 1991

10 - Acampamento em Mostardas - novembro de 2002

Claro que existem outras além dessas. Várias, por sinal. Mas estas foram as mais desgastantes, as mais absurdas, as mais inacreditáveis de todas. Curiosamente, as que estão no Top Ten atual são bem diferentes entre si - tirando algumas similaridades aqui e ali.

Duas dessas indiadas, as de número 4 e de número 6, as mais parecidas até por terem acontecido no mesmo lugar, no mesmo ano e com objetivos ligados à produção do curta O Gritador, estão explicadas com fotos no Índios do Brasil.

Mas elas merecem um texto só para elas...



Escrito por Ulisses Costa às 11h38
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Pondo o Jipe de volta na estrada

Mais uma peça teatral-abstrato-automobilística apresentando Jackson Ritter, desta vez acompanhado de seu irmão Jefferson

Sábado com sol escaldante. Jackson e Jefferson trabalham no velho Jipe da família, perto de comemorar seus 45 anos de atribulada existência. Ele anda mas não pára, pelo que os reparos estão sendo feitos no freio. Jackson testa andando incessantemente com o carro para frente e para trás num espaço de seis metros de comprimento, um vaivém infinito.

Jackson: Fé, ele tá parando na terceira pedalada no freio.

Jefferson: Quando chegar em duas, ele vai ter voltado ao que era antes.

O conceito de eficiência e exatidão se modificam com o contato com o Jipe dos Ritter.



Escrito por Ulisses Costa às 21h51
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Ode à absurdidade humana - parte II

Sim! A palavra absurdidade existe na língua portuguesa.

Essa coisa de ser ator é que nem quando eu me tornei repórter policial: nunca pensei em ser repórter, que dirá da página policial de Montenegro. Pois bem, além de nunca pensar em atuar, nem nas minhas fantasias mais desvairantes concebi fazer parte de um musical. Isso apenas ressaltou que a minha carreira, recém-iniciada, já estava decadente: primeiro, fiz um fantasma que não tem falas, só grita e aparece com uma ridícula cara de mau. Em seguida, fui escalado para figuração num musical. Uma estrela cai (sem sequer ter subido).

É óbvio que eu jamais aceitaria fazer isso sozinho, por isso contei com a ajuda do Chico Pereira. Nosso papel seria absolutamente simples: carregar uma mesa para cima do palco, trajados como garçons. O figurino era por nossa conta e risco (incluindo as toneladas de gel no cabelo) mas nos foi garantido o recebimento de um cachê simbólico. Obviamente que nem ensaiaríamos uns passinhos de dança, era só entrar e colocar a dita mesa. Muito bem. A Bibi nos pegaria no final da tarde de sábado.

Ocorre que era muito pior do que a gente imaginava: não era uma simples montagem de Hair: era o recital de 30 anos do Ballet Sinos, escola de dança de São Leopoldo, composto por três momentos: o ballet clássico duma peça chamada Dom Quixote, a apresentação das crianças, chamada Extra! Extra! e o leading act com Hair. O público era dumas 400 ou 500 pessoas. A estas horas, o Chico já havia sido escalado para um papel com falas no início da apresentação juvenil como um jornaleiro que atravessa o público gritando manchetes de 30 anos atrás. Mas o pior foi quando eu percebi que eu e ele seríamos os únicos seres humanos do recital a subir no palco que jamais haviam dançado na vida, o que tornou a situação ainda mais esdrúxula.

Claro que, como sempre, podia piorar. E não deu outra: ao chegarmos atrás do palco, vestidos como pingüins sem asas e prontos para nossa participação, nos mostraram a "mesinha" que tínhamos de levar para cima do palco.

Era um troço de três metros de comprimento, de madeira maciça. Apenas para complicar, sobre ela estava uma imensa toalha branca que pendia pronta para se enrolar nos nossos pés. E, como a cereja do bolo, a mesa estava repleta de taças, sobre as quais repousava uma recomendação:

- Guris, levem a mesa mas não deixem cair as taças.

Pois bem, senhorita. No momento certo, eu e o Chico entramos no palco (sem olhar um para o outro, senão a desgaraça estava feita) e repousamos a mesa perfeitamente no centro do palco, num trabalho simétrico. Após a dança, retiramos a mesa com o mesmo ar de nada-está-acontecendo. A moça que nos orientou (cujo figurino parecia uma embalagem de Sonho de Valsa) nos agradeceu e eu disse para ela, em voz de falso choro:

- A mesa ficou tão bonita ali, no meio do palco...

Feito isso, fugimos coxia afora e voltamos para a platéia, onde fomos reconhecidos e cumprimentados pelo nosso trabalho. Esperamos o fim da apresentação e a Bibi nos levou para casa, não sem antes parar num postinho para obter nossos cachês: uma Polar long neck para mim, uma Soda Limonada 600 ml para o Chico, dois pacotinhos de Twix para os dois.

Receber o cachê em trago... Realmente, minha carreira está decaindo. Melhor me aposentar.



Escrito por Ulisses Costa às 09h46
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Ode à absurdidade humana - parte I

Será que "absurdidade" existe? Se não, viva o neologismo!

Vamos retomar os trabalhos. Agora que não tenho mais leitores (ah, que vai ser difícil recuperar o tempo perdido...), posso dizer que o blog permanece como um treino na minha escrita (em especial a parte cômica).

Ao lado, reeditei os links mais interessantes e que têm a ver com o Histórias - incluindo aí o seu complemento visual direto, o fotolog Índios do Brasil, onde as indiadas mais recentes das quais participei aparecem em formato fotográfico.

Pois bem, este fim de semana seria o último dia de gravações do curta-metragem O Gritador (link também ao lado) Seria porque, graças a uma falha humana (nome querido inventado pelo mundo da aviação para dizer "incompetência deslavada temperada com doses brutais de burrice"), tivemos nosso objetivo adiado para janeiro de 2006. Pois é, só acaba quando termina. Viva a absurdidade humana.

Falando em absurdidade...

Há dois sábados atrás, fui convocado para uma das coisas mais absurdas que já fiz na minha vida. E tudo começou por outra absurdidade anterior. André Conti, diretor de fotografia irascível e devorador insaciável de palhetas enquanto dorme, escalou boa parte dos seus amigos para formar o elenco de um curta-metragem de terror. No caso, ele dá uma oficina de cinema no colégio Sinodal, aqui em São Leopoldo, na qual o objetivo dos trabalhos é a gravação de um filminho simples. Desta forma, grande parte da equipe d'O Gritador foi obrigada, quer dizer, "convidada" a atuar numa história onde um professor de história, Maurício (o próprio André Conti) recebe alguns artefatos de um outro professor, que se matou, e passa a ver o fantasma do dito cujo. Não precisa sequer comentar que o fantasma (Carlos Stargher era seu nome) foi devidamente atuado por mim - comentários num post no futuro (ou não).

Por infelicidade, a jornalista-faz-tudo Fabrícia Reginato foi escalada pelo André para representar uma professorinha de inglês no filme. Como vingança, ela escalou o André em contrapartida para fazer uma figuração num espetáculo de dança (mais especificamente, uma montagem do musical Hair). Mas a vítima conseguiu escapar e, para ocupar o seu lugar na peça, adivinha quem ele meteu no meio?

Eu. E meu imenso e incomensurável talento de atuação.

continua...



Escrito por Ulisses Costa às 19h18
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